Com uma participação recorde de quase 80%, o partido Tisza, liderado por Péter Magyar, conquista supermaioria no Parlamento e promete reaproximação histórica com a União Europeia.

BUDAPESTE – Em um desfecho que redefine a geopolítica do Leste Europeu, a Hungria encerrou neste domingo (12 de abril de 2026) o longo domínio de Viktor Orbán. Após 16 anos ininterruptos no poder, o primeiro-ministro reconheceu a derrota para a coalizão de oposição liderada por Péter Magyar, do partido Tisza (Respeito e Liberdade).
O resultado foi descrito por Orbán como "doloroso, mas claro". Com quase a totalidade das urnas apuradas, o Tisza garantiu 138 dos 199 assentos na Assembleia Nacional, conquistando uma supermaioria de dois terços. Esse número é simbólico e estratégico: permite ao novo governo reverter reformas constitucionais implementadas pelo Fidesz, partido de Orbán, ao longo da última década.
O Fator Péter Magyar
O grande arquiteto da vitória foi Péter Magyar, um ex-aliado do governo que rompeu com o sistema e canalizou a insatisfação popular com a estagnação econômica e escândalos de corrupção. Em seu discurso de vitória diante de milhares de pessoas em Budapeste, Magyar declarou:
"Não foi a vitória de um partido sobre outro, mas a vitória de todos os húngaros que escolheram viver novamente. Hoje, a Hungria escolheu a Europa."
A participação eleitoral foi a maior desde a queda do comunismo em 1989, atingindo 77,8%, o que demonstra o alto grau de mobilização da sociedade civil, especialmente entre os jovens e nos centros urbanos.
Impacto Internacional e Geopolítica
A queda de Orbán — o principal aliado de Vladimir Putin e Donald Trump na União Europeia — foi recebida com júbilo em Bruxelas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "o coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite".
Principais mudanças esperadas:
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Desbloqueio de Fundos: A mudança de governo deve destravar cerca de 90 bilhões de euros em fundos e empréstimos da UE que estavam retidos devido a preocupações com o Estado de Direito.
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Apoio à Ucrânia: Espera-se que a Hungria deixe de ser o principal obstáculo interno na UE para o envio de ajuda militar e financeira a Kiev.
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Reforma Democrática: Magyar prometeu restaurar a liberdade de imprensa e a independência do sistema judiciário, pilares criticados pela comunidade internacional durante a era da "democracia iliberal" de Orbán.
O Que Acontece Agora?
Viktor Orbán, que moldou a Hungria à sua imagem desde 2010, agora liderará a oposição. Analistas indicam que a transição será complexa, dado o controle que o Fidesz ainda exerce sobre diversas instituições estatais e fundações privadas.
No entanto, o clima nas ruas de Budapeste é de euforia. Para os apoiadores do Tisza, o resultado de ontem não foi apenas uma troca de cadeiras, mas o fim de um ciclo de isolamento diplomático e tensão social.